6.12.09

Pensamento sem tempo perdido!


Se me perguntassem agora, eu diria que devia ter passado bem menos tempo da minha vida pensando. Eu não podia, simplesmente não podia, ter parado assim. Foi uma pausa fatal, abismal, marginal e que agora fica me perseguindo. Vem à mente aquela cena de Tom e Jerry em que o rato corre e se esconde num buraco na parede, para o gato bater com a fuça na parede. E eu nem sei porque, dentre tantas imagens melhores que poderiam me ocorrer, essa foi a escolhida pelos meus malditos pensamentos. Aqueles, de umas frases atrás. Não sei nem se eu seria o gato, o rato, ou as pernas da moça que cuida da casa. Eu não sei nem quem eu sou agora, toda raivosa escrevendo desabafos sortidos num blog. Pois bem, jurei de pé junto que não usaria isso aqui como válvula de escape, a não ser com textos disfarçados de qualquer coisa filosófica. Mas eu resolvi quebrar mais essa regra/meta também, e aqui está. Só para não perder o hábito, fica uma mensagem para ser pensada: "Somos todos perseguidos pelo passado, mas se ele nunca nos alcança, será que tem mesmo importância?"
Está aí. Agora reflitam vocês porque, como eu disse, cansei disso. Vou me perder entre jogo, bebida e drogas. Ok, seria mais filmes, música e coca-cola.

1.12.09

Em casa.

Aquela calma dos dias sem sol. Aquela da chuva batendo contra o vidro do carro, num ataque suave. A calma daqueles que não sabem cantar nem dançar e cantam e dançam no chuveiro. A calmaria do vento batendo no rosto violentamente, lotando os olhos de uma ardência, de lágrimas e de satisfação. Juro que sinto a calma maior não depois da tempestade, mas minutos antes do seu fim. Quero aquela tranquilidade do pós-prova, pós-declaração e pós-ilusão. Poder querer as coisas mais absurdas, os sonhos mais impossíveis: Amar e ser correspondido. Sorrir depois de uma tragédia grega em sua própria história. Abraçar o fim do mundo com carinho de mãe coruja.
Aquela calma, também, de se desligar do que não presta. De se tornar permanentemente indisponível para quem não te quer bem. O humor da calma sem grandes causas, e a calma do humor sem gargalhada.

Faz de conta que não sei.


Eu estava errada, mas acima de tudo, era um erro inocente. Com o tempo, no entanto, parece que tudo o que aconteceu alimentava o erro. Com o tempo, devia passar, ir embora de vez, mas não. O erro ficou e se tornou indecente, quase vulgar. Por isso mesmo eu passei uma colinha nos meus olhos. Senti alguma coisa ao fazê-lo, mas só hoje entendi que foi dor. Só hoje também eu sei, que fechar os olhos foi pior do que a vista miserável que eu tinha. No final das contas, a cola passou da validade e deu lugar à uma luz ofuscante, como um sol gigante bem na minha cara. Tinha minha visão turva, que me proporcionava melhores experiências com os outros sentidos. O tato, que passou a ser uma base. O paladar, que eu tive o cuidado de aprimorar. O instinto. Que nunca me disse muito, mas está lá.
Mas eu queria o pacote completo; precisava de colírio, de óculos e lentes. Deixar de ser demente, enfim, e ver o sorriso sem dente de tanta gente que eu me negava a reconhecer como próximas a mim. E eu vi; mais que isso, eu me fiz ver.
Em tom de alívio, assim como o saber do sentido conquistado, senti outras milhões de raivas, medos e dúvidas me invadindo. Ares de outros cantos e certezas de outras vidas. Poderia ser confuso, mas foi engraçado. Foi fácil sorrir depois de pensar, e só pude pensar depois de sentir. Agora eu riria sem pudor daqueles que ignoram os próprios olhos. E seria o brinquedo mais bacana de quem não sabe brincar.

28.11.09

Simples

Peço que não se altere por uma palavra solta, dita à toa, sem pensar ou refletir. Se te fizer sorrir, não me conte o motivo, deixe que seja e divida comigo. Eu conto várias histórias e faço de conta que sei de tanta coisa, e você me ouve como quem já conhece o final, me fazendo desmanchar.
Percebo, enfim, que você não tem uma grama no corpo que eu não goste, não. E sinto dentro e fora, o ar bom de quem cobra respostas rápidas ao que não foi dito.
Se eu me pintar os olhos, maquiar, e tentar ser mais bonita, é para chamar sua atenção. Sinto-me uma boba, livre, leve e solta, só com o toque da sua mão.
E ser a maior sortuda, quando você me traz sua doçura. Sempre acabo não me importando de perder o chão. Juro que não entendo, nem por um breve momento, se te quero tão presente por feitiço ou afeição.
Mas lhe asseguro mil presentes chatos, fotos num porta retrato, versos num caderno, flores imaculadas e sentimentos complicados mergulhados em paixão. Peço também que quando se sentir para baixo, deixe que eu te abrace, e quando sentir medo, deixe que te diga besteiras sobre o coração. E se, por acaso, nada houver, seja o que for, lembre-se que lhe tenho um tanto assim de amor.

27.11.09

Licença

É melhor, as vezes, ir devagar, quase parando. Digo, é melhor ir com calma, porque, segundo o ditado, "devagar se vai longe". Demoraria um tempo muito maior, e eu nunca estive muito no clima para perder tempo. Mas talvez eu simplesmente devesse experimentar assim; quase parando. Não sei bem como, acho que faltei a essa aula na escola de direção. Tenho que admitir que nunca gostei dessa escola, em todo caso, e pelo visto estou bem longe de me formar. Eu tento manter a velocidade determinada, mas quando dou por mim, estou com o pé estacionado no acelerador e avançando a mil por hora sem me preocupar. Correndo, com o risco de capotar, derrapar. Paro somente para abastecer com gasolina o carro, e depois volto a me embriagar de adrenalina. Minha licença para dirigir vai mesmo demorar a sair, e eu me conformo com isso. Entendo, afinal, o porquê do risco de eu dirigir minha própria vida; o faria no escuro, com as mãos atadas e os pés viciados no passo errado. Essa falta de liberdade é um belo preço a se pagar por não seguir as regras.
Já amassei a lataria tantas vezes, dando com a cabeça na parede por pura teimosia. Já estraguei o motor com meu sedentarismo ordinário e minha alimentação desbalanceada. E nem vou falar das vezes que atropelei meu coração na maior negligência.
E mesmo sem autorização, conduzo esse carro desgovernado sem prestar atenção em semáforos ou guardas. Ladeira abaixo, sem pôr as mãos no volante. Se eu penso no risco, tenho medo? A pergunta certa seria ''Porque não?''.

11.11.09

Pois é.

- Achei seu último texto bem legal. Como consegue inspiração?
- Não consigo.
- Como assim?
- Eu copio tudo na cara de pau.
- Po! Você não tem vergonha?
- Não. Só copio coisa boa.
- Mesmo assim. Se você copia não é a sua arte. E você está meio que roubando, até.
- Mas eu não sou egoista, só quero que as pessoas comentem bem para eu ficar com a moral lá em cima.
- Que horror...
- Até essa de ''só copio dos bons'' é plágio. Quem disse foi o Woody Allen em Como Tudo na Vida.
- Para com isso, cara, está ficando compulsivo.
- Não dá. Aliás, essa conversa vai virar post.
- Hahaha. Babaca. Será que eu vou pelo menos receber créditos pelo diálogo?
- Só se você for bonzinho e dizer algo interessante para o grand finale. Sabe como é, posso ficar sem ideias.
- Ta bom... É... Não sei.
- Ta vendo? Até copiar é difícil.
- Tenta alguma coisa 'boa' então, como o Woody disse.
- É! Tenho uma infalível: ...
- Por favor, não diga "Ronaldo".
- ...
- AH!!

7.11.09

Um certo errante

Tempo pode até não existir para algumas pessoas. Eu mesma já achei que tempo era uma ilusão, quase que um bem imaginário em constante metamorfose. Complicado, eu sei. Vou tentar explicar: Cada um tem seu tempo de nascimento, e a partir dele contamos os anos para nossa morte. No início, comemoram-se os meses vividos, ainda bebê, quando não há muita atividade produtiva, mas, como todo e qualquer começo, é bonito. Depois, contamos os anos, mas não aprendemos ainda para quê, exatamente, tem aquele parabéns com todo mundo reunido, etc e chega. O tempo vai passando e as vezes parece que quase pára. E vai num rítimo arrastado até que, quando a pessoa se dá por si, lá se foi boa parte dos anos em que o joelho ainda não doía e... bem, basicamente todo o resto ainda prestava. Daí os dias passam devagar, demorados e chatos, enquanto que os anos vinham avassaladores sem a menor piedade sobre as rugas. Já não se sabe nem ao menos o porquê daquela antiga pressa... Tolice. Vem aquele pensamento, todas as manhãs ou noites, de que já está acabando, a parte boa já passou, daqui a 20 anos... quem sabe, inválido numa cama ou pior ainda numa caixa. Quem sabe?
Bom, eu tinha essa filosofia sobre o meu tempo, com o que julgava ter aprendido de valioso em filmes e músicas. Tempo e morte sempre foram os meus dois temas favoritos. Não pelo caráter mórbido ou funesto como alguns pensam, mas porque são tão interessantes e humanos. Fazem parte de mim, como menina de 16 anos que ainda sou, sem ser concreto. Não é como amor, vê? Amor a gente pode quase sentir o gosto... mas tempo? Morte? Estão onipresentes e invisíveis. Talvez eu devesse viver de acordo com a época que me convém. Eu estou mais na fase de curtir sem consequências do que me preocupar com crises existenciais. Mas eu saber disso tudo não me faz ter menos medo de nunca concretizar algo realmente gradioso ao meu ver. Medo maior mesmo, é o que eu sinto de ficar velha. Sábia, qual a vantagem? Prefiro, muitas vezes, ser ignorante, amadora em tudo, errante, e jovem para continuar nesse ciclo vicioso que me é tão belo e rico, do que ter uma mente trabalhada em anos e anos de fatos e datas. Tenho paixão pelo erro, pelo impulso dos amantes, de se tocarem e possuírem como se não houvesse amanhã.
Não espero chegar a nenhuma conclusão com esse texto, nem para mim nem para quem o lê, muito embora espero estar passando alguma coisa. Mas esse mistério me atrai; são perguntas que só são bonitas para mim, porque eu sei que nunca terei resposta. Então, se você leitor/leitora, achar que pode me dar alguma, por favor, não o faça. Prefiro meu estado bêbado de dúvidas, dramas e ideologias furadas. Prefiro esse andar no escuro, mesmo que algum filósofo ou qualquer pensador venha me chamar de preguiçosa. Mas eu nunca disse que não era. Não preciso de motivos nobres, digo aos quatro ventos; Prefiro estar embriagada.


PS: Time - Pinkfloyd
Morangos Silvestres - Ingmar Bergman
São esses um dos filmes e músicas que inspiram para tudo isso.

6.11.09

Você nem sabe, mas digo adeus.

Na minha cabeça, é como se eu estivesse balançando a mão no ar como sinal de adeus. Como uma boba, porque você já viu e já respondeu, mas eu continuo dando 'tchau' enquanto fico de pé no meio da estrada, vendo o carro levando você embora. Ou você levando o carro embora, talvez.
Pergunto-me se você está me observando pelo espelho retrovisor, apertando o volante com as duas mãos, na espectativa de que eu volte para dentro de casa antes de você sumir no horizonte. Mas eu não volto.
Continuo lá, e do nada sinto minhas pernas falharem, como bengalas velhas, cedendo ao peso do meu corpo. Acabou. Um sentimento de ardência que se concentra nas maçãs do meu rosto, provavelmente me deixando vermelha, e tornando a minha capacidade de respirar algo impressionante, só por ainda ser feito.
Quando a poeira na estrada abaixou, quando eu parei de ouvir o barulho do motor do carro e nada mais via na minha frente a não ser a estrada melancólica de sempre, esperei mais alguns segundos para voltar a mim mesma. Se amanhã eu ainda te amar como amo hoje, espero ter um plano. Eu certamente não saberei o que fazer com esse amor todo. Queria que ele fosse no banco de carona com você. Queria que você levasse não só o carro, mas a imagem que eu carrego comigo. Seu rosto furtivo; olhos de cor sem graça, nariz de beleza duvidosa, boca desenhada e pele marcada.
Imaginei tudo o que deixaríamos de ver juntos, viver juntos, como um pecado cometido repetidas vezes, todos os dias. Eu percebi, como num susto, minha sentença ao purgatório. Que algum deus tenha piedade da mim. Que eu não me torture com a culpa do amor não amado e da vida conjunta não vivida.

Loucura

- Doutor, estou começando a ouvir vozes.
- E o que elas te dizem?
- Eu não entendo o que elas dizem.
- Bem, e como elas são? Zangadas, felizes, ...?
- Elas me parecem vazias.
- Vazias?
- Mudas.
- Vozes mudas?
- Como silêncio.
- Como silêncio?
- Sim.
- Como pode isso?
- Elas simplesmente não me dizem nada. Nada são.
- Então como sabe que estão falando com você?
- Sei porque eu sinto.
- Sente as vozes que nada lhe dizem?
- Não; sinto o vazio.

25.10.09

Velhota do bairro

Transformou-se numa velhota.
Triste verdade, e cruel realidade.
Ainda se lembra de seus tempos de cocota,
a famosa Maricota,
dos Arcos da Lapa e mulher do Gusmão.
Agora, é motivo de chacota
entre os tantos do bar,
os poucos do lar.
Triste Maricota,
como sabia sambar!
Na pista era rainha,
mulher carioca,
sempre em primeiro lugar.
E agora, chorosa,com o pó de arroz usado,
vestido de segunda mão
e esmalte descascado,
procura, saudosa, a juventude, em vão.

Direção contrária


Sigo para lá e para cá.
Deireita e esquerda.
Sigo o sentido da brisa que vem do Norte,
assim como o da ventania que vem do Sul.
Sigo no sinal vermelho,
como sigo no verde, amarelo, no preto e no branco.
Bussola quebrada em mãos.
Migro no inverno do Rio,
e no verão de 40°, eu hiberno.
Sigo o rumo duvidoso da rotina,
aquela do dia-a-dia desgostoso; me canso.
Sigo a correnteza de um rio e deságuo no oceano,
deságuo no oceano e sigo a maré,
sigo a maré e não dá mais pé.
Em alto mar, já, nado e nado, como num mesmo ponto de partida.
Enfim, sigo cardumes inteiros,
direto para a rede de barcos pesqueiros.
Sem tempo, encontro-me cigana em terras distantes,
perseguindo, agora, os nômades, sem casa,
sem lar, abrigo e nem sequer um tostão.
Mas depois de tudo, encontro um destino cretino,
na palma da minha mão.


Revolução


Eu quero um amor na virada de uma esquina, que me faça perder meu eu, num teu. Quero um amor ordinário, que me faça em frangalhos sem mais nem menos. Um amor sem pai nem mãe, vergonha ou pudor.
Amor com sabor de decisão por pênalti, de prova final. Quero o gosto da fruta que não pode, do acorde impossível.
Não mais sentir os pés no chão, com o coração na mão. Pedir, implorar, roubar e matar; quase um ataque cardíaco.
Um amor que acabe com tudo, devaste meu mundo e me faça um nada desnudo. Que tenha dor, esse amor; aquela dos dias com mais de 24h, da falta de ar, das noites de insônia e do aperto no peito.
Nada de meio termo, razão ou tempo. Sim, de joelhos, gritando, exigindo. Tenho um amor assim, e posso viver de água e pão. Virar rebelde sem causa, cansada, descalça, enfim, não interessa.
Quero um amor sem coração.

2.10.09

Primavera dos pecados


"Raios! Moléstia sem fim!"
Ele bradou, dando um soco na parede. Também, podia; era frustrante ser quem ele era. Não direi muito diretamente, talvez alguém não goste. Enfim, ele estava realmente fora de si. Quer dizer, muitas vezes é bom e satisfatório ser o Senhor do Mal, mas quando não se recebe o crédito pelo trabalho bem feito, é complicado.
O drama todo, basicamente, era que depois de anos e mais anos se empenhando no aperfeiçoamento das práticas do mal, os malditos humanos estragam tudo. Ele escreveu tudo de errado em linhas certas, à sangue, e as pessoas entenderam. Mas quando ele viu sua criação, os sete pecados, como que bebês, sendo mascarados, não pôde acreditar!
Como era belo! Todos seguindo seu exemplo e semelhança, até que resolvem relacionar ao produto do demo, uma palavrinha dócil. Vide "inveja boa". É de matar.
Ele sentou em seu trono de espinhos, pensando, inquieto, no resumo das coisas. Já faz um bom tempo, seus pecados foram desvalorizados. Aonde será que isso realmente levava sua criação?
Lembrou-se com rancor, também, do medo que costumava provocar. Agora, é só um incômodo. Hoje a raiva é construtiva, a avareza é sinal de inteligência e luxúria é propaganda. Dizem sempre que deus devia estar chorando lágrimas de sangue, mas e ele? Oh, chorava lágrimas de água benta!
"Sim, acho que perdi meu monopólio. O controle pertence somente aos humanos, a partir de agora. Criam o próprio abismo, não precisam mais de mim. Raios! Aprenderam direitinho, os danados!"
E como conclusão, já subordinado, cossando a testa lotada de chifres, percebeu que estava na primavera dos pecados; aqueles que ele mesmo cultivou.
"Eles crescem tão rápido", suspirou o demo, com o coração lotado de ternura.

27.9.09

Sobre o Branco


O filme é o segundo daquela trilogia das cores que mencionei anteriormente. Chama-se A Igualdade é Branca e trata de Karol Karol, um polonês que é obrigado a passar uma temporada na França para as formalidades de seu divórcio com Dominique Vidal, sua ex mulher.

No tribunal, Karol perde a causa, tendo que pagar pensão á Dominique, que o humilhou dizendo que a causa do pedido do divórcio é que o casamento não foi consumado. Ai, essa doeu.

Mas a crueldade de Dominique não para por aí. Depois de tirar todo o dinheiro de Karol, e deixar que ele virasse um mendigo em Paris enquanto ela dispunha de um apartamento confortável o bastante para ambos, ela o maltrata se exibindo com homens, sabendo que ele ainda a ama.

Pois bem. Karol não deixará essa passar em branco. Ele volta à Polônia e dá início a um processo de vingança muito bem bolado.

Cuidado, eu diria a Dominique. Esse sangue eslavo sabe como dar o troco. O filme é em geral triste, visto do ponto de vista de Karol e sem narração qualquer.

Bem típico de filmes franceses, é objetivo e, ao mesmo tempo, meio "nublado", se é que eu tenho alguma moral para usar esses termos.

Tem o amor, certa ternura, mas por outro lado tem a vingança. Mas esse não é bem o final que uma trama de amor deveria ter. Certamente, Karol não fica feliz, mas, talvez, tranquilo. E Dominique, sempre inabalável, agora compreende, que, seja lá qual for sua nacionalidade, a igualdade é necessária. Branca? Nesse caso, me está mais para o vermelho, mas deixa ser. Nosso diretor Krzysztof quis assim.


25.9.09

nada à francesa


Leva manteiga, leite,
cacau e açúcar.
Oh, que linda sobremesa.

Dissipa a tristeza,
que é uma beleza.
Chocolate, querido,
és melhor que um marido.

Toda cheinha, tamanho GG.
Sou mesmo fofinha, como todos podem ver.
E essa noite, chocolate, pode ter certeza,
eu irei te comer.

17.9.09

Origem.




- Oh, Horáculo, eu estou tão confusa. Sinto como se tudo o que eu quero fosse tão vago que se torna quase impossível conseguir. Não sei o que fazer.

- ...

- Se eu pudesse falar sobre isso com alguém que realmente pudesse me ajudar, talvez melhorasse. Mas meus amigos estão tão desorientados como eu, e sempre que falo sobre isso com meus pais, me sinto uma péssima filha. Definitivamente, preciso de conselhos.

- ...

- Eu poderia me casar logo com o Zeuszimar. Ou até mesmo ser meteorologista, como ele, e aí economizava no equipamento. Mas, não tem paixão nenhuma. É como se fosse tudo em vão. Oh, Deuses! Porque eu?

- Caaale-se.

- O que? Oh, Meus Deuses. Que isso?! Quem está aí?

- ...

- Horóscopo? É você? É você me dando uma resposta? Diga que sim, esperei tanto por esse momento!

- Oi, Afrojudite. Sou só eu; nada de Horáculo.

- Germes! Como ousa? Escutando minhas reflexões. Maldito seja!

- Na verdade eu vim aqui entregar-lhe uma mensagem de Zeuszimar e você tava toda animada aí falando com as pedras. Fiquei sem graça de atrapalhar. Bom, aqui está.

- Então porque disse que me calasse? E porque se escondeu?

- Porque eu achei que podia conseguir alguma informação interessante para o aC - Atenas Comics; sabe, a revista de fofocas. Eles pagam em divindades. Seja como for, não aguentei. Você é bem chata.

- Mares e tempestades! Eu o amaldiçoo. Todos os homens da sua família serão incapazes de compreender uma só palavra do que as mulheres entendem. Assim, pagarão pelo seu pecado!

- Que seja. O que diz o bilhete, afinal?

- Ah, sim. Acha que o direi? Apenas vá embora e avise que a deus Afrojudite está furiosa, furiosa!

- Até parece. Eu sei que você quer fofocar. Vamos, leia.


- Já que não tenho mais meu Horáculo... Está certo. Lá vai:

" Afrojudite,



é com tristeza que lhe informo o fim do nosso noivado. Não poderei mais casar contigo, uma vez que você contou para todas suas amigas da Olimpicus - Academia e Spa, do meu... dos nossos problemas na cama.



E, além do mais, conheci Herva. Estou viciado nela. Espero que entenda.

Adeus,

Zeuszimar."

- Não! Não pode ser! AAAH!

- Você e ele têm problemas na cama? Agora sim uma informação que valhe de alguma coisa.

- Ora, chega! Estou farta! Amaldiçoo também todos os homens da família de Zeuszimar. Todos eles serão viciados em bundas e peitos, e nunca poderão escolher uma mulher bela de verdade. Como eu. Hum!





--//--






E assim, criou-se o berço de boa parte da humanidade. Bem, são todos idiotas. xD



11.9.09

Educação avançada.

Tudo em vão. 3 anos de estudos no lixo. Vergonha. Ana olhou para os lados , quase como se esperasse ver o gabarito flutuando em alguma parte daquela sala lotada e iluminada demais. Mas ao invés disso, ela viu algo ainda mais bizarro. Digo 'algo', porque ela não sabia se poderia definir como homem ou mulher, muito menos como pessoa. Era uma coisa toda de preto; mal se via a pele. Era magra e fina, com um rosto quase felino. Um olhar desafiador que fitava fixamente o rosto de Ana.
Como assim? Simplesmente, ninguém mais naquele lugar parecia ter visto a coisa. Os ficais não a notaram, com certeza, porque ela nem sequer estava se preocupando em ser discreta, poderia facilmente estar colando. Mas não; somente Ana a via.
Deveria ser um delírio, pensou. Um momento de loucura devido à pressão sofrida no vestibular. Ai meu Deus, isso a lembrou da prova. Aquele pedaço de papel em branco que decidiria sua vida.
- Está difícil.
A voz da coisa ecoou sinistramente, parecendo muito mais alta do que os ruídos de lápis escrevendo e movimentos nervosos. Ana tinha confiança de responder; ela sabia, não me pergunte como, que ninguém ouviria novamente. Era como um mundo paralelo.
- Sim.
- Escolha um.
- O que?
- Escolha um candidato. Faremos uma troca.
- Um candidato pelo o que?
- Pelo conceito máximo nesta prova. E em todas as outras que você venha a fazer. Estou lhe oferecendo o seu futuro.
- O que você fará com o cara que eu escolher?... Quem, afinal, é você?
- Apenas estou lhe dando uma oportunidade única. Todas essas pessoas estão concorrendo com você. Bem, eles são seus agora. Dê-me um.

Só de pensar naquela possibilidade já fazia Ana se sentir doentia. Seja lá o que aquilo significava, era malígno. Dava para sentir. Mas ao mesmo tempo, imagine como a vida de Ana seria como num conto de fadas, onde a família se orgulharia dela todos os dias, e os amigos sentiriam inveja de como ela é brilhante e sortuda. Era o que ela queria. E estava bem ao alcance de suas mãos.
- Aquele ali.
Ela escolheu um com cara de idiota. Seja lá o que fosse acontecer com ele, seria melhor do que lidar com a faculdade de quinte a qual ele estaria condenado. Qual é, dava para perceber que ele não ia passar. Ela estava até lhe fazendo um favor.
A coisa sorriu, uma coisa de gelar a espinha e desapareceu, junto com o esquisito que Ana acabara de condenar. Um pânico começou a tomar conta de sua mente. Aquilo realmente havia acontecido. Ela olhou para os lados, novamente, agora procurando o cara de idiota, quando percebeu que a prova estava completamente feita, e o cartão resposta marcado.
Uma onda de confiança substituiu o medo e ela levantou, caminhou até o fiscal e lhe entregou o cartão resposta. Seja lá o que tivesse acontecido, agora era passado.
Ana saía do prédio dizendo coisas como "Eles farias o mesmo por você" e "Estamos numa selva, temos que cuidar do próprio nariz", para se convencer que não havia feito nada de monstruoso, mas a verdade era que havia um sorriso de satisfação no seu rosto.
Ela sabia, que naquela noite deitaria a cabeça no travesseiro, com a consciência limpa como a de um anjo. Conseguira o que sempre quis e merecia. Ela merecia, sim. Bastava fechar os olhos e não pensar no cara-de-idiota. Valeu a pena.

7.9.09

Drogada

Meu corpo, em órbita,
viajando,vagando.
Minha mente, em órbita,
cedendo,perdendo.
Meu todo,
suspira e traga;
mente e corpo,
de cara-a-cara
e mãos atadas.

6.9.09

Sobre o azul.



São três as cores da bandeira francesa: azul, vermelho e branco. Assim como as palavras, três: igualdade, fraternidade e liberdade.
Daí se baseia a trilogia do diretor Krzysztof Kieslowski, que é polonês.
O primeiro da série, A Liberdade é Azul, é sobre uma mulher francesa que perde o marido e a filha num acidente de carro, ao qual ela sobreviveu.
O filme em si é silencioso. Não chegamos a conhecer o marido e a filha que morrem na primeira cena, mas muito menos teremos a oportunidade de conhecer Julie (Juliette Binoche). É como se ela tivesse entrado em algum tipo de transe. Sua vida foi tomada pela natureza daquela tragédia.

A direção desse filme é tão interessante; em nenhum momento Julie fala sobre o marido e a filha, mas quando alguém lhe faz lembrar destes, a cena congela e fica tudo escuro em tela. Fui levada para dentro da mente daquela mulher. Breu, escuridão, vazio. E aí, ela volta. Mas não menos fria.

Há momentos em que uma trilha sonora quebra o "estado vegetativo". São músicas compostas pelo marido de Julie, que era um musico famoso. E aí, essa música transborda pelos olhos vazios da mulher. Ela era mãe, esposa e tinha uma casa. Ela os amava e eles a amavam. Agora, ela não era ninguém. O que seria de qualquer pessoa, se não tivesse para quem viver?

A única lição que esse filme me passa, é que só se pode ser feliz, ou mesmo você mesmo, se compartilhar tudo. Dividir tristezas, alegrias e todo o resto; não importa.

A liberdade tratada desse filme, aquela azulada, é tomada de Julie. Ela sobrevive, teoricamente. Ela lembra, sente e sabe. Tem total consciência de que perdeu a liberdade de ser ela mesma.

5.9.09

Saber.



Meu amor, você é um espelho, um cigano.
E eu te tenho em mim, por encanto.
Aconteceu e eu não sei se te chamo,
ou me calo e te espero num canto.
Simplesmente te quero, de um tanto,
e continuar desse jeito é um engano.

Eu preciso saber de você,

que te amo sem medo, sem pranto.


3.9.09

Coisas que eu amo em Cassino.

Eu amo o jeito como há mais de um narrador em diferentes partes do filme, e todos eles são personagens. Corresponde à memória particular de cada um, então você tem vários pontos de vista.

Amo como Nikki (Joe Perci) fala fumando e ao mesmo tempo olhando para os lados para ver se tem alguém com cara suspeita. Ele murmura coisas bem típicas dele, como "Quem é esse cara?" ou "Me dê o dinheiro" (Give me the fuckin money). Em inglês é outra coisa.

Adoro como Sammy (Robert DeNiro) repete duas vezes uma pergunta de confirmação com os olhos apertados em sinal de ameaça. Exemplo:
Nikky: Ginger está aqui comigo.
Sammy: Ginger está aí com você?
Nikky: Sim.
Sammy: Ela está aí?
Nikky: Está, droga!
Sammy: Com você! Nãoi saia daí. Estou chegando.

E aí ele desliga e sai seja lá daonde esteja para encontrar a mulher drogada e linda.
E, aliás, adoro o jeito como sempre há um telefone para ser atendido especialmente pelo Sammy. Aonde quer que ele vá; tem um telefone.

Amo, também, o enfoque dado em certas cenas com o congelamento desta. É como se Scorsese estivesse mandando um recado de "preste atenção, aqui." e realmente valhe a pena.
Isso também acontece quando a música vai aumentando de volume e acelerando nos momentos antes de um tiro, por exemplo, ou da polícia arrombar alguma porta. E, quando a ação acaba, tudo fica silencioso do nada.

Gosto muito de imaginar os minutos de preparação da Sharon Stone antes de entrar em cena. Como fazer aquela cara imaculada de fingida? Imagino ela se esbofeteando no camarim, sóbria.

Isso me faz lembrar das cenas de espancamento. Faz você pular da cadeira e, sei lá, desejar ser um gangster por um momento para poder bater daquele jeito! Cara, como eles batem.

Destaque para os ternos do Sammy. Simplesmente tão coloridos e cafonas que você não espera ver o Robert DeNiro num deles novamente. Aproveite cada minuto.

Amo as demolições e os idosos numa marcha bizarra, ao som de música clássica, no final. Passa um sentimento de pânico, que você não entende bem. Quer dizer, não só idosos de moletom. Mas sempre que eu lembro daquela cena, por algum motivo, penso em lobotomia e lavagem cerebral.
Por sinal, eu amei o fim. Como mais terminar? É isso aí, pronto, fim. Close no DeNiro. Créditos. Dá vontade de rever mil vezes. Acredite, eu revi.

Bom, voltando:
Amei o fato de alguém finalmente ter batido na Ginger. Sou contra agressão às mulheres. Mas precisava. Só vendo para entender.

A trilha sonora é maravilhosa.

Tem uma coisa muito legal entre os personagens da máfia: Se você não é italiano, não é tão confiável. Você pode falar alguma coisa, então, mesmo sendo legal, vai morrer. Só para constar, eu tenho nacionalidade italiana. (?) Ainda no tema italiano, não podiam faltar os beijos de cumprimento. São homens milhonários, matando gente, e... se beijando no rosto. Não preciso dizer mais nada.

É isso. Assista Cassino.

26.8.09

Não é sério.






Outro dia a professora de redação apresentou uma proposta de texto para a turma. Devíamos mandar uma "carta do leitor" para o jornal O Globo criticando, positiva ou negativamente, o artigo que ela indicaria.
Muito bem. O artigo tratava de uma pesquisa sobre o nível de divórcios nas áreas em que a televisão tinha sinal (obs: 98% do Brasil). O resultado foi que acontecem mais divórcios, e também diminuiu o número de filhos por família. Até aí, tudo bem. Quer dizer, meu humor cético (HC)ainda não fora ativado, mas quando o artigo afirmou que esses índices mostram como a novela (sim, novela) influencia a vida das pessoas, o HC disparou.
É o tipo de coisa que eu leio e me pergunto se é sério.
Mas aí me fez pensar se é possível. Se eu pensar de maneira bem... aberta, posso concluir que boa parte da população brasileira que assiste novelas é facilmente impressionável e pode, sim, aderir ao estereótipo padrão proposto pelas novelas.
Aquela coisa que todos já vimos; a empregada é negra, a filha mimada é problemática, a mulher é linda e o pai é rico. No outro lado, o pai é desempregado, a filha é a defensora dos fracos e oprimidos e a mulher frita pastel. Ah, e a empregada é inexistente.

Mas e quanto àquela parte que assiste a novela, mas nem por isso é seduzida pelo modelo comercial de margarina? A pesquisa provavelmente não cobriu essa área do Brasil.
A questão real é que a TV, como qualquer outro meio de comunicação, tem um papel limitado nas decisões das pessoas. Você. Você, se por acaso visse sua favorita das 20h, comprando maconha e dando para sua filha, faria o mesmo? Pode ser um exemplo exagerado, mas é isso aí. Você não iria, nem eu e talvez o cara do morro.
A novela retrata a sociedade atual, com suas características obviamente modificadas para se adequarem ao padrão televisivo.
Não se pode responsabilizar esse tipo de entreterimento (no fundo, é só o que é) por assuntos polêmicos como 'ter um filho' ou até mesmo 'ser homossexual'.
Temos realidade e ficção, cenas verdadeiras e outras completamente falsas. Afinal, o autor da novela é um romancista como outro qualquer.
Mas, por favor, lembre-se que Caminho das Índias já está durando até demais, e nem por isso estamos falando Harebaba na rua. Ou estamos?!

20.8.09

Temos que amar o mármore!


- Secretaria da Delegacia do Reino.

- Gostaria de fazer uma denúncia de discriminação e preconceito.

- Só um minuto, senhor. Vou passar a ligação para a Central de Apoio.

Dois minutos depois:

- Central de Apoio. Como posso ajudar?

- Alô. Gostaria de fazer uma denúncia.

- Sim, senhor?

- Quero reclamar de uma situação que já vem durando há muito tempo. Sempre se referem à minha raça com preconceito. Como se todos os Mármores fossem ruins por natureza, sabe, do inferno. Não aguento mais ouvir um humano ou alguma outra pedra dizendo "Queimar no mármore do inferno". Diacho! Porque logo o Mármore? Porque não o Granito? Enfim, quero que isso pare.

- Mas senhor, o que eu poderia estar fazendo para ajudá-lo?

- Você me diga. Mandem uma proposta para algum deputado fazer uma lei proibindo essa discriminação. Ou talvez uma campanha. Não interessa. Tenho meus direitos.

- Compreendo. Será que o senhor poderia esperar na linha por alguns minutinhos enquanto eu vejo o que posso fazer?

Mozart ao fundo; passam-se 5 minutos.


- Departamento preferencial. Como posso servir?





- Departamento preferencial? Que raios?

- Senhor, seu caso foi considerado pela assistente anterior um caso singular, que deve ser tratado com mais atenção.

- Ótimo! Então, eu sou um Mármore legítimo e quero denunciar todos aqueles que não aceitam o fato comprovado que não existe raça, e sim pedras diferentes.

- Certo. O senhor precisará tomar algumas medidas para que seu pedido seja oficial. Por favor, imprima o formulário número 171 e envie por fax para nós.

- Sim, farei isso agora mesmo. Quais serão as medidas tomadas?

- Iremos estar considerando a sua situação e se for o caso, lhe mandaremos mais formulários para então encaminhá-lo ao Setor de Ação Legal.

- Outro? Já não estou no Departamento Preferencial?

- Sim, o senhor está. Mas eu não posso fazer nada para mudar a sociedade. Sabe, senhor, desde sempre as pessoas falam 'Mármore do inferno' e isso nunca foi um problema.

- Como...? É um problema para mim! Eu sou uma pedra religiosa e não quero meu nome relacionado ao inferno!

- Senhor, por favor, não eleve seu tom de voz. Só estou dizendo que não é possível atender à sua solicitação sem antes avaliar se uma simples campanha mudará alguma coisa.

- Isso é um absurdo! Quero falar com seu superior agora mesmo? Como você pode me dizer...

- Magnum Nobre, supervisor do Departamento Preferencial.

- Olha só, quero que demita imediatamente o funcionário que acabou de me atender. Ele me desacatou com o mesmo preconceito que vim justamente falar sobre!

- Senhor, não demitirei ninguém. Por favor, acalme-se.


- NÃO? VOCÊ NÃO ME OUVIU? ELE DISSE QUE ME CHAMAR DE PEDRA DOS INFERNOS NÃO É UM PROBLEMA!

- Senhor, esta conversa está sendo gravada.

- GRAVE BEM ISTO: BEIJE MINHA BUNDA DURA E BRANCA DE MÁRMORE DOS CÉUS!

- Senhor, não posso beijar sua bunda. Vamos resolver isso como homens adultos. Acabei de receber seu formulário. Vou enviá-lo à Secretaria da Delegacia do Reino e nossos agentes verão o que pode ser feito.

- Mas é justamente lá para onde eu liguei.

- Muito obrigado por ter ligado. Faremos o que pudermos para satisfazer seu pedido. Boa noite.


O maldito desligou o telefone. Não adiantou de nada, e agora estou mais pobre e mais estressado. Vão todos queimar no Granito do inferno. Eles e seus gerúndios idiotas.

15.8.09

Coleções Anônimas





- Oi, eu sou o Myagui. Aqui, cada um pode usar um codinome e contar sua história. O vício de fazer coleção é algo grave, e todos aqui entenderemos se você tiver realizado qualquer coisa que não seja exatamente politicamente correta, digamos assim. Alguém quer dividir conosco?


Lá do fundo da sala uma garota levantou o braço parecendo um pouco acanhada. Ela, então, levantou e foi até o palanque.

- Oi, eu sou Yoko Ono.

- Olá, Yoko Ono - disseram todos.

E aí ela começou a contar sua história. Yoko Ono era uma compradora de borrachas compulsiva. Tinha cerca de 100 borrachas e não usava de fato nenhuma. Era uma história comum no CA ( Coleções Anônimas), aonde cada um tentava aliviar a pressão de viver naquele esquema consumista. Eu não sei como é. Só frequento essas reuniões pelo prazer sádico de ver como a natureza humana pode tender a vícios estranhos. Enfim, Yoko Ono deu-se por satisfeita e foi sentar.

Logo após dela, uma dona que nunca se pronunciou resolveu participar.

- Olá, sou Rihanna.

- Oi Rihanna.



- Eu... eu não sei bem se deveria estar aqui, ou sequer contar minha história. Mas depois de muito pensar eu cheguei à conclusão de que é de fato uma coleção. Bom, no início eu não falava sobre isso com ninguém, porque não me parecia realmente um problema. Eu faço coleção de dívidas. Desde que me dei conta disso, converso muito com o gerente de diversas empresas de empréstimo ou banco. Não que eu goste disso. Quem me dera ter mais dinheiro para poder ter a dívida e depois me livrar dela, para poder ter uma outra. Não é como se eu gostasse de ter tudo o que eu compro. Só me sinto importante quando as lojas lembram de mim e me mandam cartas, ou me oferecem oportunidades de financiamento ou crédito, quando percebem que eu gosto desse esquema. Mas acontece que, obviamente, fui me afundando nessa onda, e acho que agora não sei mais viver sem elas. As dívidas, quero dizer. Tenho uma dívida, a primeira, que é como uma filha para mim. Eu cuido dela, e ela vai crescendo, me fazendo sentir como uma velha mamãe. E as mais novas, são agitadas e sempre me perseguem. Atualmente eu venho trocando dívidas com o banco. Quando eu tenho uma que não gosto tanto assim, de uma loja de departamento ou supermercado, troco por uma do banco com um nome bem legal, tipo "Crédito ouro". Agora, embora seja difícil para mim, eu estou gastando meu salário para acabar com as dívidas. É como ver seu filho sair de casa. Fica um vazio na minha caderneta, principalmente porque meu salário não é lá essas coisas.


Mas é isso. Obrigada por me ouvirem.


- De nada, Rihanna.


Mais uma vez, Myagui, o organizador, falou:


- Querida Rihanna, não me entenda mal, mas acho que você entrou no departamento errado. Aqui é para quem faz coleção de coisas. Na porta 13 no fim do corredor, você pode se achar. É o CA2 - Compulsivos Anônimos. Temos vários CA's; Carrancudos, corruptos, cismados etc. Mas foi ótimo tê-la aqui conosco.


É realmente muito curioso. Temos 3 andares inteiros de Anônimos. Doenças, vícios diversos, manias e tudo o que se pode imaginar. Daqui a pouco terá um departamento de Anônimos Anônimos - aquelas pessoas que, por ventura, se viciaram nisso aqui.





Mas eu adoro os codinomes. Um dia vou me apresentar nos Corrúpitos Anônimos, como Collor. Só para ver a reação do grupo.




(l0l)

10.8.09

médicos X você. faz sentido?


Recentemente a revista Veja Vú (sensação de que já leu isso antes?) publicou uma reportagem sobre os avanços nas pesquisas sobre os efeitos do ovo e do chocolate.

Alguns cientistas comprovam que tais alimentos não são prejudiciais a saúde. Um desses médicos foi o Dr. Gregório Casa. Ele afirmou que "ovos e chocolate podem ser consumidos até diariamente, sem causar efeitos negativos ao corpo".

Desde essa publicação, a revista recebeu cartas indignadas de leitores que dizem ter sido enganados pelo Dr. Casa. Uma carta em particular:


" Dr. Casa,
Lendo suas declarações sobre chocolate e ovo, me animei e comprei alguns bombons para comemorar essa nova liberdade. Pois sempre disseram que fazia muito mal, então eu parei de comer frequentemente. Porém, quando li seu artigo e voltei a comer o doce, engodei muito e minha pele ficou horrível. Você não deveria falar o que não sabe. Está lidando com a saúde das pessoas, sabia?
Espero que reconsidere seu diploma,
Madame Chocólatra."

Também houve cartas mais nervosas ainda:

" Caros médicos,
Devo dizer que em toda a minha vida comi de tudo; de banha de porco até bombas de chocolate. Minha mãe, meu pai e toda a minha família vivíaos numa fazenda longe dos cuidados médicos e todos vivemos mais de 80 anos. Sempre soube que essas pesquisas malucas que dizem que ovo faz mal, são erradas. Então quando li seu artigo dizendo que descobriu que 'não é assim tão nocivo' fiquei abismada com sua cara-de-pau. Não se fazem mais médicos como antigamente.
Atenciosamente,
Sempre comi banha e não morri ainda."


Não publicamos os nomes verdadeiros por questões de segurança. Contudo, o Dr. Casa foi comunicado das reclamações e fez questão de esclarescer dúvidas e equívocos.


" Caros leitores,
No primeiro caso, fui condenado de condenar à obesidade pessoas já acostumadas a não comer chocolate. Pois isso não é culpa minha e sim da ignorância de vocês. Obviamente, como qualquer outro alimento, se ingerido aos montes será prejudicial. Por favor, pare de se intupir de besteiras e coma mais coisas saudáveis. Equilíbrio é a chave.
Quanto a minha suposta cara-de-pau, tenho mais algumas opiniões que precisam ser expostas. Minha senhora, você e sua família, na fazenda, faziam parte da geração do fast food? Por acaso eram sedentários, mesmo com tanto trabalho rural? Acho que não. Então, obviamente, não podemos comparar seu estilo de vida e de seus parentes com mais de 80 anos, ao dos jovens e adultos de hoje em dia. Garanto que, se você alimentar uma criança que só faz comer hambúrguer e jogar Wii o dia todo, ela não passará dos 50.
Na verdade, acho que ficar criticando as pesquisas para poder usar possíveis erros como uma desculpa para comer besteira é idiota. Médicos trabalham para encontrar um meio saudável de vida. Não desejamos que ninguém pare de comer o que gosta para sempre, só evite os excessos.

Realmente, não se fazem mais médicos como antigamente, assim como pacientes.

Desejo que vivam numa fazenda,
Dr. Casa."


Se você ainda tiver alguma reclamação sobre o que os médicos afirmam ou não, por favor, entre em contato.

Edição Veja Vú.
Leia e releia. Um dia você entende.

9.8.09

Você é demais.



Não sei como nós deixamos chegar a esse ponto. Quer dizer, não sei se devo usar o termo 'nós'. De certo modo, sempre estivemos juntas. Era assim que eu esperava que fosse, até o fim. Mas com certeza isso mudou. Em algum ponto eu simplesmente perdi o controle do que eu sinto. Por isso, o 'nós' me parece tão errado. Quem me dera, termos sido nós duas, juntas, que tivéssemos nos afastando. Quem me dera o tempo tivesse passado de maneira igual para cada uma. Mas não posso dizer isso. Parece que eu mudei alguma coisa em mim mesma, e agora você não parece a mesma.
Costumávamos falar de tudo. Debatíamos por horas e horas tudo o que pensávamos. Eu enchia o peito para dizer que você era minha melhor amiga. Nosso laço era forte e se rompeu. Meu amor por você não diminuiu, de modo algum, e mesmo assim eu me encontro frequentemente magoada com coisas que você disse ou fez.
Será que nunca mais poderei usar o 'nós'? Se eu vou me sentir sozinha, mesmo com você ao meu lado, ou se vou me calar quando você quiser saber de mim, talvez esse texto seja todo sobre uma luta contra mim mesma.
Minha querida, porque sinto que não posso mais chegar perto de você? Costumava ser tão bom, eu me sentia tão completa, e agora me acabo em lágrimas.
Meu peito está tão lotado de dúvidas, e enquanto isso eu rejeito sua afeição. Quando, por ventura, estamos realmente juntas, algo acontece e mais uma vez, eu me sinto mal.
Não pretendo definir, nem agora nem nunca, os porquês disso tudo. Acho que eu cheguei ao meu limite, e não posso mais conviver com você, tendo em mente o fim eminente que nos cerca. Acho, também, que seja porque tenho medo da aproximidade e de como ela pode me ferir, agora que provei um pouco de como seria te perder.
Minha querida, eu a quero de volta. Eu não compreendo o tempo, e não compreendo o amor, tão pouco. Mas sinto que temos demais de um e muito pouco do outro. Observando você, eu me pergunto muitas vezes se o problema é que nos desencontramos. Uma vez uma outra pessoa me disse que você se sente deslocada do que acontece agora. Mas eu acho que idade nunca nos impediu de sermos próximas. E se, por acaso, for isso, peço que espere por mim,
que eu ainda tenho um longo caminho a percorrer até sentir
o que você pode estar sentindo agora. Imagino como seria estranho olhar ao redor e ver que das pessoas com quem cresci, muitas já se foram. O quanto alguém pode ser forte para continuar em pé, quando sabe que seu tempo já foi, eu não sei, mesmo tendo certeza que você pode. Você é tão forte.
Será que minha capacidade de confiar seja assim... nula? Será que você é assim tão frágil, que me escapa ao olhar?
Tenha paciência. Eu continuarei fazendo o meu melhor, ou pelo menos tentando. Isso parece bobeira, e é. Mas eu ainda preciso entender o que aconteceu com o 'nós'.

6.8.09

Vamos entender Jack.



Baseado num romance de Stephen King, O Iluminado provoca uma espécie de terror psicológico disfarçado com o medo que todo mundo sente da solidão absoluta, do isolamento. O pânico que Stanley implanta aos poucos no filme, lançando mão de uma trilha sonora que, sozinha, assume toda uma atmosfera de tensão, faz você se imaginar completamente estranho ao mundo. A solidão pode tirar a razão de um homem, ou será que o que afetou a mente de Jack foram os espíritos do Overlook?
Quem diria que, um pai de família poderia estar tão longe de casa, ao ponto de esquecer o amor que sente por sua mulher e filho? Ora, deve ter algum engano, não? Deixe-me tentar explicar o que aconteceu com o pacato zelador do Overlook. Jack não ficaria simplesmente louco, afinal, eram só 3 meses trancafiado. Sem rádio, sem telefone, sem televisão... Ele só precisava arranjar um passa-tempo para ocupar a mente. Talvez um jogo de esconde-esconde com Danny. Ou uma brincadeirinha com Wendy. (http://www.youtube.com/watch?v=2TVooUHN7j4&feature=related) Mas não, ninguém entendia.
O problema era o menino. Ah, ele e essas visões, sim, era o que estava pertubado o equilíbrio daquele lugar. Eu acho que eles deveriam conversar sobre Danny. Eu acho que deveriam dar um jeito no Danny de uma vez por todas. Um homem não pode trabalhar com uma criança naquele estado. Se ao menos Wendy ajudasse e não tomasse sempre o partido do filho. Como eles esperavam que Jack mantesse a calma assim? Não é justo. Todo mundo sabe que muito siso e pouco riso fazem de Jack um homem infeliz.

Aqueles dois idiotas... Sempre se esgueirando pelos cantos desse hotel, impedindo Jack de fazer o seu trabalho. Assim ele teria que mostrar que ele tem moral, poder.

Muito siso e pouco riso fazem de Jack um homem infeliz

Muito siso e pouco riso fazem de Jack um homem infeliz

Muito siso e pouco riso fazem de Jack um homem infeliz
...
Parece que Wendy e Danny esqueceram quem era o homem da casa. Jack teria que dar um jeito... De qualquer jeito.
---
OBS da autora-maníaca-por-filmes: Por favor, reparem no Trailler (http://www.youtube.com/watch?v=Zr0UtXRqtqc). Eu tenho que mostrar para o máximo de pessoas possíveis a maravilha psicológica que Stanley Kubrick criou. E também devo aplaudir de pé o desempenho de Jack Nicholson. Quer dizer, todo mundo sabe que ele tem aquela cara de pirado, mas que excelente ator ele é! E o final do filme, que vou manter em segredo, merece destaque. Repentino, sim. Mas genial. Ah, poderia falar o dia todo sobre cada aspecto, mas vou ressaltar só mais uma. As visões de Danny. Quando vir o filme, ou se já viu, vai me entender... É simplesmente demais.

4.8.09

continuação




Horóscopo do jornal Devil Times Teen :


Orientando as garotas anti-boazinhas para uma semana com plenitude satânica na Terra.
(Os sígnos restantes )


Leão:
É o seu momento, leonina, e você está com tudo no amor. Um cara que já está aí na sua cara ou um otário qualquer com quem você esbarre na rua, todos podem se encantar de verdade com você. Use esse charme para atrair vítimas e realizar estragos para valer! Vênus e Marte em Gêmeos trazem muita dor e calafrios entre amigos, e é possível que ocorram genocídeos.
Dica: Cuidado com sua curiosidade! Evite se envolver no plano de outras pessoas, ou pode acabar com um membro a menos.

Virgem:
Pode rolar o enforcamento daquele seu primo caipira que mora longe. A família passa por problemas e muitas cabeças podem rolar. Mas não se esqueça que eles são sempre testemunha a favor. Se signo está em Leão, deixando-a sonhadora. Então, não espere muito dessa enforcadinha. Ao que tudo indica, é só uma coisa de momento.
Dica: Espante a preguiça e prepare-se para a volta às aulas. Seus pontos negativos estão em alta!


Libra:
Querer é sempre poder. Lembre-se disso quando alguém se opuser à sua vontade, e vingue-se sem dó nem piedade. Isso não significa que você tenha que sair por aí dando facadinhas em todo mundo. Saiba medir seus desejos mas, no final, dê um jeitinho. Lembre: Tudo depende de saber manipular os amiguinhos.
Dica: Tenha calma. A resposta para sua carta anônima de ameaça virá, só não nesse momento.

Escorpião:
Estar de férias não é desculpa para interromper o treino de terrorismo. Use seu tempo livre para aprender coisas novas. Você pode, por exemplo, assistir programas sobre a máfia, facções e grupos como o do Bin Laden. A internet pode ser uma ótima fonte de informações, se você souber onde procurar. Tem sempre um blog certeiro que trata de coisas do mal.
Dica: Ressalte suas manhas e sorria amargamente para iluminar sua face. Nada de ficar se escondendo atrás de máscaras de coringa.


Sagitário:
Você está supercharmosa! Quase uma vampira. Sedenta por sangue e cheia de estilo, esta é a quinzena da vaidade. Para manter essa aura macabra, que tal cuidar da inteligência? Leia os clássicos como Drácula. Capriche no conteúdo e confunda todo mundo por onde passar.
Dica: Apesar de estar com a bola cheia, fique atenta para ficar exibida demais, ok? Atraia bastante inveja e aproveite os frutos dessa fartura de sentimentos mesquinhos!


Capricórnio:
Se quer que o mundo seja um lugar pior, tome atitudes que levem a isso! Divulgar suas ideias para as pessoas mais próximas pode ser um bom começo. Comece contando para seu namorado sobre os seus ex, que você torturou até a morte. A reação será uma alegria extra no relacionamento de vocês!
Dica: Você tem grandes chances de conquistar o mundo. Aposte em si mesma e na ambição sem limites.


Aquário:
Aproveite esse momento para bagunçar tudo e começar o segundo semestre com culpa no cartório e sangue nas mãos. Faça uma boa limpeza nos seus arquivos e veja se tem algum trabalhinho mal terminado. Se tiver, ocupe-se de concluí-lo. Pode paracer chato, mas no final vai render uma fama maravilhosa.
Dica: Se jogue nos exercícios físicos. Uma corrida de obstáculos humanos ou um esporte coletivo, como caça, caem bem.


Peixes:
Você está mais tímida nessa semana. Por isso, tende a querer se esconder e causar um caos pequeno ao seu redor, e pode cair na armadilha de contar seu segredo de agente do mal para alguém que provavelmente será bobo o bastante para querer salvá-la. Não perca tempo com isso. Tente ir pelo caminho das trevas, sempre!
Dica: Você está ligada à mentira e correpção. Use sua inspiração para manter esses tesouros perto de si.


E aí, se identificou com as previsões do nosso Horóscopo?
Esperamos que nossas dicas inspirem você a dar seu melhor.
Semana que vem tem mais, medonhas.
Um beijo de dementador para todas vocês!




Equipe Devil Times Teen
Para meninas geniosas.

3.8.09

Coisa de garota.




Horóscopo do jornal Devil Times Teen :




Orientando as garotas anti-boazinhas para uma semana com plenitude satânica na Terra.




Áries:
Com Marte na sua rota de colisão, você terá uma semana repleta de oportunidades para provocar o caos. Portanto, esteja aberta a novas experiências, lembrando que sangue novo é sempre bem vindo. Criatividade na hora H é a chave para um bom assassinato, se for o que você tiver em mente. Mas, se ainda não decidiu qual será sua má ação semanal, versatilidade é o melhor plano de ataque.
Dica: Canivete à peixeira; a boa é estar armado e preparado para emboscadas. Os astros favorecem ambientes fechados para a ocasião, como banheiro de shopping, por exemplo.

Touro:
Está se sentindo entediada? É hora de colocar mais paixão na sua vida. Se fizer o tipo mais tímida e reprimida, matando com pistolas silencios ou veneno na hora do jantar romântico, é melhor parar. Assuma as rédeas da situação e não tenha medo de ousar para fazer uma verdadeira obra de arte quando estiver terminado. Inspire-se em Hannibal Lecter; o cara sabe o que faz.
Dicas: Vaiodosa, você pode gastar tempo demais preparando a cena do crime, ou cuidado dos vestígios. Fique ligada para não perder boa parte da emoção com preparativos.

Gêmeos:
Tudo fica melhor quando estamos cercados de terror psicológico e torturas chinesas milenares. Por isso, esse é o momento de investir em métodos avançados. Não se prenda ao tradicional; técnicas modernas para o mal estão em alta nessa estação. E a posição de Vênus em seu signo traz uma lente dark para sua vida!
Dica: Você está ainda mais pálida e mórbida. Aproveite para tocar o terror não só em ocasiões especiais. Saia por aí dilacerando corações mesmo, se é que você me entende.

Câncer:
Nesta semana, fique atenta à sua alimentação. Em excesso, ficar sem se alimentar de "docinhos fofinhos"(ninguém merece) pode fazer um bem danado. Você não vai querer ficar magrinha e com a pele bonita, não é? Então faça um esforço e cuide-se melhor. Senão não vai provocar medo nem em uma modelo anorexa.
Dica: Sua autoestima está em alta! Ressalte sua maldade aprendendo novos truques de magia negra.


E aí, se identificou com as previsões do nosso Horóscopo? Esperamos que nossas dicas inspirem você a dar seu melhor. Acompanhe na edição seguinte os signos restantes. Nos vemos lá, honey.



Equipe Devil Times Teen
Para meninas geniosas.




28.7.09

doc. Dream

Eu provavelmente deveria começar a contar a história da minha vida com a ilustre frase " Tudo começou...", mas eu não gosto dessa ideia. Vamos tentar algo diferente:
Veja bem, caro leitor, eu sempre fui de dormir. Desde pequeno tinha esse hábito , e não passou nunca mais. E, sendo assim, com o passar dos anos eu comecei a tentar expandir minhas viagens ao mundo dos sonhos. Experimentava dormir em lugares improváveis, tomar leite quente, chá quente, álcool e até dormir com músicas diversas (de clássico ao punk), para ver como seria o sono.

Daí eu descobri minha vocação; logo cedo, antes mesmo de sonhar com faculdade ou uma carreira, eu sabia que queria viver de dormir. Minha família jamais se importou, tendo em vista que era barato e não incomodava ninguém. Então, quando me formei no colégio, dormindo em todas as aulas e colando nas provas, eu passei com louvor para a UUSS - Universidade Universal Santa Soneca. Acredite; nem precisei de vestibular ou qualquer outra prova do tipo. Logo nos primeiros dias, eu me apaixonei por aquela rotina universitária. Tomava as aulas com atenção e estudava em casa. Media níveis de baba, durante cada nível de sono. A matéria mais complicada era a de testar os níveis de atividade cerebral, mas eu gostava. O que me chateava era ter que estudar os Pesadelos. Esses tempos de aula sempre acabavam na Ala Hospitalar, sonhando com alguma enfermeira gostosona.

De fato, quem dava essas aulas era o próprio Freddy Kruguer, então não

poderia mesmo ser diferente.

Chegando na reta final, eu estava enlouquecido com a Monografia. Estava muito confuso para escolher o tema, e precisava começar logo, afinal era um trabalho longo. Mas creio que escolhi a melhor opção quando fiz a pesquisa em Harmonia dos Roncos - Como isso afeta sua vida? Foi uma época em que eu mal parava em pé para comer. Vivia perseguindo o Morfeu para fazer perguntas, que por sinal me renderam ótimas conclusões. Gravei roncos ao redor do mundo todo, e valeu a pena. Me formei em Sonho, com direito a um diploma-travesseiro para servir de base para minhas futuras pesquisas.
Mas, sabe, leitor, você provavelmente está com inveja de eu não precisar acordar cedo, ou sequer acordar em certos dias, a não ser para comer e fazer pips ou pops. Só que eu estou agora numa fase da minha "vida", em que questiono muito esssa situação. Quer dizer, nunca amei nenhuma mulher que não fosse meu sonho da Ava Gardner. Nunca visitei lugares como Paris, a não ser no meu sonho de O Último Tango em Paris. E isso me faz uma falta, que nem sei como, já que nunca tive. Queria mesmo era acordar por uns dias... Sentir o sentido real das coisas que as pessoas sonham. Ver o que é ilusão, e o que eu posso realmente chamar de meu. Ah, leitor, como eu queria poder viajar pelo mundo, sem voar, e depois voltar e ver se ainda quero passar o resto dos meus dias numa cama, sonhando comigo mesmo sapateando com Frank Sinatra cantando ao fundo, num cenário estilo subúrbio de NY. Mas confesso que tenho medo. Seria necessário que eu tomasse uns 10 banhos frios e um número ainda mais exorbitante de café duplamente-duplo puro. E se depois disso, meus sonhos nunca mais fossem os mesmos? Não sei... É arriscado. A verdade é que esse, é só mais um sonho antigo. z z
Acredito que pouco antes de morrer, z z
quando eu estiver bem velhinho e perceber
que me resta pouco tempo, vou largar os
soníferos e ver se nesse mundo de realidade
tem um lugar para um velho sonhador... Talvez.

18.7.09

Poesia; goste ou não.

Eu sou seu plano real,

guardado numa conta mensal.

Eu me multiplico,



eu somo e jamais divido.

Mas se você quiser me gastar,

por favor,

que seja para comprar um Jaguar.





---
---


Vem, fada!


Desejo ser um jasmin.


Viverei no seu jardim,


e você pode me defender.


Assim pode ser?


Eu, cheia de frescura


e você com uma armadura.


Espante os ferrões das abelhas;


que eu atraio as borboletas.


Seremos como guerreiras,


diferente das covardes violetas.


Oh, fada! Será a nossa Terra do Nunca!


Não terá lugar para espinhos,


somente casas de passarinhos.


9.7.09

Fofo, sim. Longe de mim.

Gosto muito de você, gatinho.
Seu jeito manhoso,
nada cheiroso.
Vem sempre de mansinho ,
encostando seu focinho,
pedindo carinho.
Mas seu pelo, embora sedoso,
devo dizer,
não cheira cheiroso.
E fica lambendo minha mão.
É muito fofinho;
seu miado agudo, com sotaque felino.
Mas mesmo bondoso,
você tem um bafinho,
de cheiro horroroso.
E de repente você se manda ligeiro,
perseguindo o peixeiro,
e eu, cheia de receio,
de não lavar minha mão.
Do seu cheiro, gatinho,
eu não gosto, não.

8.7.09

Silêncio



Recentemente adicionei à minha lista de palavras não ditas, mais uma palavra calada. Ela não pôde ser nada além do que eu pensei, e então, nada foi. A palavra ficou magoada e agitada. Debatia-se toda irritadinha querendo sair. Mas mesmo assim eu não falei, e não a fiz ser ouvida.
Agora ela me cobra. Quer seus direitos e me enfrenta sempre, exigindo minha voz.
E outra vez, eu não paguei. Calei novamente, porque não estava nem aí. Mais parece que as sufoquei.
Vou a julgamento e espero pela melhor pena possível. Quando cheguei ao tribunal, não havia um só sussurro. Jurei contar a verdade e somente ela, com a mão sobre um discionário da línga portuguesa. Mas quando fui me justificar, deixar que todos soubessem meus porquês, nada consegui juntar. Em ato de vingança, as palavras agora não compareceram. Acho que simplesmente viraram as costas para mim, no momento em que elas me eram fundamentais.
Fiquei desamparado. Perdido entre a incapacidade de reunir palavras e formar minhas frases, e a possibilidade de ser condenado a nem sei o que. No fim, emudeci. Acabei sendo preso, sem nenhum testemunho, nem sequer o meu.
Agora, sempre que posso, tento usar as palavras. Falar em voz alta, mesmo quando sozinho ou sem assunto. Solto as palavras que não fazem mais muito sentido aos quatro ventos, e elas agem solitárias. Resolvi fazer de minha voz um bem público sem saber se é certo ou errado. Quem quer ler um livro aberto, se ele estiver escancarado?
Aprendi a minha lição; eu digo e grito mas o significado me foge. Repito, todos os dias, o quão grande é o mistério das palavras.

7.7.09

Cara de comida?!

Meu médico disse para que eu não comesse nada que tem marca. Apenas coisas naturais, diz ele. E, tudo bem, é sempre melhor ser saudável. Mas eu não sei, realmente, se quero ficar controlando a esse ponto a minha alimentação. Quer dizer, eu tenho 16 anos e mesmo sendo uma menina cheia de hormônios e convivendo com amigos viciados em balinhas, vou me privar de tudo que tem marca. O que é bastante coisa, mesmo.

E então, pensando bem, comida parou de ser saudável ou gordurosa, ou apenas comida. Agora comida tem rosto, marca e etc. Conheço pessoas que escolhiam o que comer simplesmente pelo valor calórico, e não pelo sabor. Até porque eu mesma já fui uma delas, por mais que eu odeie admitir. Já os vegetarianos, por exemplo, não comem algo que gostam por uma causa nobre. Os animais que sofrem com o abate e coisa e tal. Tudo bem, sério. Só não venham tentar me levar para o lado soja da vida com aquele papo de 'Animais; porque você ama uns e come outros?'. Quando eu leio isso só penso em uma resposta óbvia: Porque estava com fome.

No fim, me parece que muitas dessas escolhas na hora de fazer sua dieta são feitas com baseamento em ideais como: fazer parte de um grupinho 'Mundo Verde' ou 'Coca-for-life'. E isso seria mais uma maneira de reafirmar a sua personalidade, talvez? Ou o bom e velho desejo de ser aceito em determinada 'tribo'.

Mas já temos muitos fatores para pessoas que buscam essa identidade se colocarem com um estilo próprio: moda, gosto musical, goto cinematografico... Uma boa conversa!

Deixem a comida como fonte de alimento necessário que ela é! Se você tem fome, coma. Ser um esqueleto hoje em dia pode parecer legal, mas garanto que não valhe a pena. Se está meio acima do peso, vai fazer um exercício. E se por acaso tiver alguma causa política para defender, fica na sua e me deixa comer meu bife em paz.

5.7.09

Carta ao medo



Caro medo,
Você bem sabe que por muito tempo nós fomos unidos demais. Eu fazia questão de te levar aonde fosse, mas a verdade é que eu não gostava de nós dois sempre tão grudados.
Tentava te esconder, guardando num canto ou disfarçando, mas você não se tocava e sempre aparecia bem nos momentos importantes, me fazendo sair correndo ou desistindo de alguma coisa.
Isso me privou de tantas conquistas, erros e certezas, que com o passar dos anos fui me enchendo de você. Minha família, meus amigos; ninguém aguentava mais te ver comigo. Sempre assustado com tudo e me arrastando para casa antes das 20:00h. Era um saco.
Não me separava de você, porque tinha medo de ficar sozinha. Não brigava nem reclamava, porque tinha medo de parecer chata. Daí eu percebi que tudo girava ao redor das suas necessidades. Eu não podia crescer e ficava estagnada entre consultas com terapeutas e crises.
Por isso tudo chegou a hora de dar um basta. Isso mesmo, quero terminar tudo que temos. Não vou mais te ligar, e espero que faça o mesmo. Sei que posso ter uma recaída, mas saiba que você não vai me dominar como antes. Desejo que perca essa sua mania de nunca tentar nada novo; eu gosto de você, sabe. Quer dizer, você faz parte de mim e da minha vida, mas agora eu tenho que tomar as rédeas da situação e procurar mais do que você me dava.
Espero um dia lembrar das coisas que não fizemos juntos e rir, com certa saudade. Anseio, também, pelo dia em que nos esbarraremos na rua como velhos amantes e eu serei capaz de apenas acenar e seguir meu caminho.
Você pode ficar indignado, mas eu vou pular de paraquedas na semana que vem. Sei que mesmo odiando isso, você estará lá. Mas dessa vez, ou você pula junto, ou fica lá com cara de panaca.
Um abraço,
Széchy

30.6.09

Alegoria da sala de aula

"Trabalho de Filosofia sobre a Alegoria da Caverna de Platão.
Tema: A alegoria da caverna nos dias de hoje.
Por: AlunoX
Turma: 2009

Hoje em dia, a situação está bem parecida com a da época de Platão. É bem curioso que depois de tanto tempo (mesmo) as coisas tenham mudado tão pouco.
Veja bem, tudo se baseia no conceito de que algumas pessoas estão acorrentadas no interior de uma "caverna", que na verdade é a sala de aula, e ficam observando, inertes e quase altistas, a uma realidade projetada; as sombras, vulgo, matérias.
Platão, com 16 anos, certamente era obrigado a sentar em bancos de pedra, muito desconfortáveis, e ver um cara falando sobre sua vida com a matemática, biologia, história etc, e de tanto ter o pensamento levado a países distantes, concluiu que a luz, a vida de verdade, estaria disponível quando ele se libertasse das correntes imaginárias que foram criadas na sua mente juvenil pelo medo de levar bronca dos pais.
Só então ele estaria livre para conhecer uma realidade sem máscaras de provas, testes ou moralismo quanto a jogar bolinhas de papel nos nerds, e se tornar um ser humano plano e completo.
Fim.

Ps: Professor Eucrêio, quero deixar claro que isso foi sim, uma indireta. Mas ao contrário do que possa parecer, eu não o considero um defensor das sombras do saber, ou nada parecido. Eu te entendo. Quer dizer, crescer sendo zuando pelos colegas pelo nome estranho e pela gagueira deve ter sido difícil; você provavelmente não pôde compreender Platão como eu. Mas tudo bem, tô de boa.Valeu!"


Professor corrigindo trabalho de AlunoX: